Dia Mundial de Conscientização do Autismo: a luta contra o preconceito

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Nem sempre fica evidente que a pessoa tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), pois fisicamente não é possível ver algum tipo de indicativo, já que se trata de algo comportamental. É preciso ter sensibilidade e enxergar mais do que aparência e comportamento. A pessoa com TEA e seus familiares ainda enfrentam a falta de inclusão social e inserção na sociedade; o preconceito é um obstáculo. O Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo – data de 2 de abril – envolve uma pauta que precisa, amplamente, ser abraçada pela sociedade.

Quando a sociedade está bem informada, ela tende a ser mais sensível às lutas alheias e, consequentemente, torna-se menos preconceituosa. Diariamente, pais, mães, avós sofrem julgamentos descabidos diante de situações inusitadas que envolve familiares autistas. Elaborar e colocar em prática políticas públicas que visem garantir os direitos da pessoa com TEA ainda desafiador.

A falta de aceitação da sociedade faz com que diversas famílias sintam as consequências do preconceito. O acesso aos tratamentos é uma das primeiras vias que podem proporcionar mais qualidade de vida a esse público. Todas essas lutas diárias norteiam os trabalhos da Associação de Familiares e Amigos dos Autistas – VIDA de Toledo.

“A conscientização sobre autismo desempenha um papel vital em várias frentes, não só a aceitação e a inclusão das pessoas com autismo na sociedade, mas também combate o preconceito”, destaca a presidente da Associação de Familiares e Amigos dos Autistas de Toledo, Roseli de Lima de Oliveira. “O Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo tem como objetivo de conscientizar a população sobre autismo, envolver a comunidade, trazer visibilidade e buscar uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva”.

CONHECIMENTO GERA MENOS PRECONCEITO – O preconceito tende a estar diretamente ligado ao medo do desconhecido – a falta de conhecimento sobre algo. A melhor forma de se lidar com o preconceito é conhecimento, trazer um pouco da perspectiva e vivencia para o outro, falar sobre o autismo, o que é, quais são as dificuldades que eles e as famílias enfrentam, com o que lidam e como.

Para Roseli, o respeito é fundamental em todas as relações, mas quando se trata de conhecer alguém que é diferente habitual, deve-se estar ainda mais atento. Ela pontua que o respeito é o primeiro passo e o conhecimento reforça o respeito.

“É essencial para disseminar conhecimento, facilitando o diagnóstico e a intervenção precoce”, salienta ao pontuar que quanto mais o tema autismo é tratado, mais a sociedade conhece e isso facilita também que aconteça o diagnóstico precoce que facilita a vida das famílias envolvidas.

PROGRAMAÇÃO DA ENTIDADE – Para marcar o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo, a Associação irá promover um evento: o IncluiTEA. A programação acontece no sábado (5) nas instalações da entidade.

O evento será das 14h às 18h e terá brinquedos, lanches, troca de experiência e uma palestra com o tema ‘Vamos conversar sobre seletividade alimentar no autismo?’ – tema será tratado pela neuropsicopedagoga, especialista em TEA e intervenção ABA aplicada ao TEA, Andréia Schauren.

“O tema foi escolhido porque é uma grande dificuldade enfrentada pelos pais e pessoas que tem contato com crianças e adolescentes autista, muitos acham ser birra quando uma criança ou adolescente não come um determinado alimento. Esse assunto é um ponto muito importante para as famílias, pois irá trazer conhecimento sobre como lidar e entender as dificuldades dos filhos com os alimentos. Fica o convite para que as famílias participem do evento, levem sua cadeira, seu chimarrão. Vamos discutir o tema, trazer mais conhecimento e menos preconceito”, conclui.

Da Redação

TOLEDO

Andréia Schauren enfrenta os desafios na seletividade alimentar dentro de casa.
Crédito: Arquivo pessoal
Andréia Schauren enfrenta os desafios na seletividade alimentar dentro de casa. Crédito: Arquivo pessoal

Seletividade alimentar no autismo: os desafios em inserir novos alimentos

A programação do IncluiTEA – realizado no próximo sábado (5) – envolve uma palestra com o ‘Vamos conversar sobre seletividade alimentar no autismo?’. Quem estiver no evento terá a oportunidade de conhecer mais sobre esse assunto desafiador.

“A proposta desta conversa é oferecer apoio e estratégias para que os pais ou cuidadores, consigam introduzir novos alimentos na rotina da criança de forma natural e sem traumas”, esclarece a palestrante, a neuropsicopedagoga, especialista em TEA e intervenção ABA aplicada ao TEA, Andréia Schauren.

Conforme Andréia, a escolha do tema ocorreu porque a seletividade alimentar é uma das dificuldades mais presentes na vida das famílias que têm crianças no espectro autista. Ela cita que para muitos pais e cuidadores, as refeições se tornam momentos de grande estresse e preocupação, pois a alimentação restrita pode impactar diretamente a saúde e o bem-estar da criança.

“Além disso, essa escolha vem de uma experiência pessoal. Como mãe, vivi essa realidade dentro de casa com meus filhos e sei o quanto é desafiador lidar com isso diariamente. A frustração ao tentar introduzir novos alimentos, o medo de deficiências nutricionais e a cobrança social sobre como devemos alimentar nossos filhos são sentimentos que muitas famílias compartilham”, detalha.

OS DESAFIOS DA SELETIVIDADE ALIMENTAR – Andréia destaca que é essencial falar sobre seletividade alimentar é essencial. A palestra irá trazer informações, estratégias e acolhimento para que todos possamos entender melhor esse desafio com o intuito de encontrar caminhos para tornar a alimentação um momento mais tranquilo e saudável para as crianças com TEA e seus familiares.

A profissional pontua que muitas crianças autistas comem sempre os mesmos tipos de alimentos todos os dias, recusando qualquer variação. Essa seletividade pode estar ligada a diferentes fatores, como a textura, a cor, o cheiro ou até a forma como o alimento é servido. Algumas crianças, por exemplo, aceitam apenas alimentos crocantes, enquanto outras preferem comidas pastosas ou evitam completamente alimentos de determinada cor.

“Essa limitação alimentar pode levar a deficiências nutricionais, pois a criança pode acabar consumindo apenas um grupo restrito de nutrientes. Por isso, é fundamental compreender que a seletividade alimentar não é uma simples ‘birra’, mas sim um comportamento ligado a questões sensoriais e neurológicas do TEA”, esclarece.

Da Redação

TOLEDO

Acadêmicos Medicina da Universidade e participantes do projeto após uma palestra.
Crédito: Arquivo Pessoal
Acadêmicos Medicina da Universidade e participantes do projeto após uma palestra. Crédito: Arquivo Pessoal

TEA: projeto de extensão da UFPR dissemina o conhecimento técnico à sociedade

“Conversando sobre o autismo: temas emergentes entre Saúde e Educação” é o título do projeto de extensão do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus Toledo. Sob a coordenação do professor Dr. Kleber Fernando Pereira, o projeto de extensão tem como objetivo principal difundir conhecimento técnico e com qualidade para a população de Toledo e da região.

O professor Dr. Kleber explica que a cada mês é promovida uma palestra sobre um novo assunto e com profissionais de diversas áreas. “São pessoas que atuam especificamente na melhora do diagnóstico”, afirma o coordenador do projeto de extensão ao exemplificar que um neuropediatra abordou a temática. “Eu explorei cada área do cérebro e uma psicóloga fez a análise do comportamento aplicado”.

Em abril, o tema abordado na palestra será o fardo do autismo leve em mulheres adultas. A programação acontece no dia 23, às 19h, no auditório da Prefeitura de Toledo. “A palestrante é psicopedagoga, autista e tem TDH”. Na ocasião, o professor comenta que os profissionais que já participaram do projeto repassaram as informações de maneira gratuita, ou seja, são pessoas que acreditam na difusão do conhecimento de qualidade para a população”.

INFORMAÇÃO – O professor enfatiza que o “Conversando sobre o autismo: temas emergentes entre Saúde e Educação” utiliza da universidade como um meio para difundir conhecimento técnico com profissionais altamente capacitadas na área do autismo. “Difundir as informações para a sociedade, em especial, pais, familiares e cuidadores de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Todos estão interessados em conhecer mais sobre o Transtorno e buscam por capacitação para melhor atender seus entes”.

Neste contexto, Dr. Kleber pondera que a participação ativa dos acadêmicos de Medicina da UFPR é essencial para o sucesso da iniciativa. “O projeto proporciona uma interação enriquecedora entre o conhecimento acadêmico e a prática social. Permite que os estudantes desenvolvam uma visão mais humanizada e abrangente sobre o TEA, indo além da teoria aprendida nas salas de aula”, destaca.

O coordenador explica ainda que o projeto oportuniza ao acadêmico atuar na disseminação de informação e de qualidade sobre o TEA, assim como a interação com pacientes e familiares, o que possibilita o desenvolvimento de habilidades comunicativas e empáticas, fundamentais para a prática médica. “Atualmente, o grupo é composto por 30 acadêmicos e eu na coordenação”.

COMPREENSÃO – Dr. Kleber salienta que as principais dúvidas das famílias e dos amigos estão relacionadas as comorbidades associadas ao autismo (TDAH, TAG, TOD e TOC) e as medicações utilizadas para estas comorbidades (já que para autismo não é receitado o medicamento). “Embora a sociedade tenha avançado na compreensão do Transtorno do Espectro Autista, ainda existem muitos mitos e estereótipos que dificultam a inclusão e o apoio adequado às pessoas autistas”.

Ele complementa que a desinformação pode levar a diagnósticos tardios, dificuldades no acesso a tratamentos e preconceitos que afetam a qualidade de vida dessas pessoas e das suas famílias. “São exemplos de pensamentos equivocados: ‘que o autista não sente emoções’, ‘que todos os autistas são gênios’, ‘o autismo é causado por maus pais ou falta de afeto’ e que ‘o autismo é causado por vacinas’”, cita.

O coordenador do projeto acrescenta que a disseminação de informação correta sobre o TEA, tanto na Educação quanto nos meios de comunicação, é essencial para construir uma sociedade mais inclusiva, relata o professor. “Com mais conhecimento, será possível promover ambientes que respeitem as necessidades das pessoas autistas e incentivem o desenvolvimento das suas potencialidades”, destaca Dr. Kleber ao ponderar que a informação e a conscientização são os principais caminhos, assim como o apoio emocional, acolhimento, estratégias para o dia a dia no manejo do ente com TEA e Rede de Apoio e Profissionais adequados para cada comorbidade (TDAH, TAG, TOD, depressão e epilepsia) entre outros.

Da Redação

TOLEDO

O capítulo compõe essa obra
Crédito: Divulgação
O capítulo compõe essa obra Crédito: Divulgação

Médico, professores e acadêmicos abordam neuroanatomia do TEA em livro

Profissionais da neurociência e acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus Toledo, com a Faculdade Biopark elaboraram um capítulo para a obra intitulada como ‘Neurocirurgia, neurologia e neurociência’.

O professor Dr. Kleber Fernando Pereira com Leonardo Gabriel Minuzzo, Vinicius Eduardo Ribeiro Salles (acadêmicos); médico e professor do curso de Medicina da Universidade Alcântara Ramos de Assis César e a farmacêutica e professora Dayane Kelly Sabec Pereira elaboraram o capítulo oitavo intitulado como ‘Neuroanatomia do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A OBRA – O segundo volume da série Neurocirurgia, Neurologia e Neurociências apresenta novos conhecimentos que ampliam as fronteiras da prática neurocientífica. “Dando continuidade a missão de disseminar informações atualizadas, este livro reúne trabalhos de médicos, jovens e experientes cientistas e neuroanatomistas que, por meio de estudos clínicos e laboratoriais, buscam aprimorar as técnicas diagnósticas e cirúrgicas na área”, retrata a obra.

Com isso, os capítulos exploram a intersecção entre prática clínica e pesquisa científica, oferecendo uma visão aprofundada sobre doenças neurológicas. “A partir de casos clínicos detalhados, os leitores podem entender melhor as complexidades da fisiopatologia das condições”, explica.

Dr. Kleber menciona que o capítulo do livro mostra cada área do cérebro acometida por este transtorno do neurodesenvolvimento. Conforme o capítulo, o TEA é uma condição do neurosocial, além de padrões de comportamento restritivos e repetitivos. “Apesar da crescente atenção e pesquisa em torno do TEA, a etiologia e as alterações neuroanatômicas subjacentes ainda são áreas de investigação intensa”, destacam os autores do capítulo.

DESORDENS COMPORTAMENTAIS – Após a discussão, os autores concluíram que os critérios diagnósticos, conforme o DSM-V, não incluem alterações morfológicas e/ou a pesquisa que fundamentam a literatura. “Deixamos bases neuroanatômicas e levantamos tal questão. Pois, apenas sintomas isolados, não necessariamente podem ser traduzidos como diagnóstico, a considerar pelo impacto do mesmo”.

Eles ressaltam a importância dos sintomas como queixa inicial e a história da doença atual como uma possibilidade sindrômica e diante de tais, buscar alterações topográficas/anatômicas para assim com apoio de propedêutica armada complementar definir diagnóstico, excluindo outras possibilidades mais plausíveis. “A pergunta que deixamos, consiste na possibilidade diagnóstica mediante alterações anatômicas – e se não há, pensar também em outros transtornos possíveis, tais quais desordens comportamentais”.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações do capítulo da obra

Transtorno do Espectro Autista (TEA)*

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. “Sinais de alerta no neurodesenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, sendo o diagnóstico estabelecido por volta dos 2 a 3 anos de idade. A prevalência é maior no sexo masculino”, aponta a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

*Com informações da Sesa

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