La Niña pode trazer frio ainda no outono

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A primeira semana do outono de 2025 foi marcada por temperaturas mais amenas e chuva forte, que ocorreu no final da tarde de terça-feira (25), em Toledo. Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), foram registrados cerca de 64,8 mm de chuva e rajadas de vento de aproximadamente 50,7 km/h. Algumas árvores caíram com a força dos ventos e propriedades rurais também sofreram danos.

Apesar dessa condição registrada, o outono de 2025 será marcado por temperaturas mais amenas e uma redução no volume de chuva. A nova estação iniciou no dia 20 de março e segue até o dia 20 de junho e promete trazer mais mudanças no tempo. O período é caracterizado pela troca de folhas das árvores sazonais, que começam a se preparar para a chegada do inverno.

Também neste período os dias ficam mais curtos e as noite mais longas. Gradativamente, as temperaturas caem com possibilidades de frentes frias.

O professor de Agrometeorologia da PUC-PR, campus Toledo, Alexandre Luis Müller, explica que o outono de 2025 ainda está sob o efeito do fenômeno La Niña, com tendência de que o inverno, a próxima estação, possa ser mais rigoroso do que foi no ano passado. “O La Niña é um fenômeno que acaba afetando no inverno e por isso, podemos ter um inverno mais severo, no caso mais acentuado com relação as temperaturas”.

Além das temperaturas mais baixas, a previsão é de chuvas a baixo da média neste período que compreende os meses de abril, maio e junho. “Não temos expectativa de chover muito neste período. Está chovendo de forma bem irregular em toda a região Oeste”, complementa Müller.

IMPACTOS – O professor de Agrometeorologia lembra que as condições climáticas também influenciam nas culturas no campo. Como boa parte dos produtores da região têm nesse momento o milho safrinha plantado, Alexandre Luis Müller relata que em algumas localidades, a estiagem das últimas semanas impactou na produção.

“Tem alguns municípios aqui da região que estão sofrendo bastante; em alguns municípios próximo ao beira lago o milho está bastante prejudicado; algumas localidades na região de Palotina também estão sofrendo bastante com a estiagem porque o milho não consegue se desenvolver. Olhando para a região de Toledo e Cascavel vemos que aqui ainda tá bom. Tem chovido, mesmo que algumas pancadas isoladas e o milho de maneira geral está bom, mas em algumas regiões está bem complicado”, enfatiza.

Contudo, se o frio, almejado por muitos e odiado por outros, vier mais cedo acompanhado de uma geada, também poderá preocupar os produtores da região. “Para vencer essa massa seca que está sobre a região tem que ser uma frente fria forte e, ao mesmo tempo, pode vir chuva e frio. Não sabemos se vai vir geada, mas o risco é maior porque já teve uma frente fria no Sul e nesse momento essa condição é bem complicada para o milho safrinha na nossa região”.

INFLUÊNCIA – O professor de Agrometeorologia Alexandre Luis Müller lembra que a falta de chuva registrada no início do verão e a irregularidade das precipitações ao longo da estação impactaram na safra da soja. “As áreas que foram semeadas de soja mais tarde perderam produtividade porque o sol acabou prejudicando. A falta de chuva ou as chuvas isoladas influenciadas pelo La Liña, prejudicou a safra da soja e vem prejudicando o milho safrinha”.

O La Niña ocorre quando há o resfriamento da faixa Equatorial Central e Centro-Leste do Oceano Pacífico. Ele é estabelecido quando há uma diminuição igual ou maior a 0,5°C nas águas do oceano. O fenômeno acontece a cada três ou cinco anos.

Em períodos de La Niña, o tempo costuma ficar mais seco no Sul do país, e as chuvas frequentes migram para o Norte e Nordeste do país. No Sudeste e no Centro-Oeste, faz mais frio do que o habitual. Apesar da condição do La Niña, Müller pontua que ainda é possível que haja uma neutralidade do fenômeno. “Poderemos ter uma neutralidade, sair do La Niña para uma estação neutra que não teria influência com relação ao aquecimento ou resfriamento da água do Oceano Pacífico”, conclui.

Da Redação

TOLEDO

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